Blog sobre o seringueiro, lider social e teatrólogo acreano José Marques de Sousa, o Matias.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Fest Cineamazônia® exibirá filmes da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
Filmes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola estarão participando como convidados.
A parceira com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é a novidade deste ano para a 8ª edição do Festival Latino Americano de Cinema e Vídeo Ambiental - Fest Cineamazônia®, que acontecerá em Porto Velho, de 9 a 13 de novembro de 2010. As inscrições já estão abertas no site www.cineamazonia.com, onde consta também o regulamento. A partir desta edição serão aceitas produções em português e castelhano.Filmes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola estarão participando como convidados. A parceria com a CPLP é uma integração de resgate dos laços culturais com o Brasil. O Fest Cineamazônia® acontece também em Cabe Verde (África) e Coimbra e Évora (Portugal).
O foco principal do Fest Cineamazônia® é questão ambiental, mas o festival aceita produções de gêneros como ficção, documentário, experimental, animação, e videorreportagem ambiental. A variedade de gêneros cinematográficos favorece para várias leituras. As produções inscritas são exibidas numa mesma bitola o que torna a concorrência mais nivelada.
O Festival tem o apoio da Prefeitura de Porto Velho, através da Fundação Iaripuna e da Secretaria Municipal de Educaçao (Semed) e Iphan.
Fonte: Festcine Amazônia
sábado, 3 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Salão de Humor da Amazônia
Mais um grupo do Acre está entre nós esta semana
Na semana passada, a banda Caldo de Piabas esteve por aqui dentro da programação do Conexão Vivo. Neste sábado é a vez do teatro acreano, que se faz presente através do grupo “De olho na Coisa”, que se apresentará no Espaço Cultural Sesc Boulevard, na Doca, dentro da programação do projeto Amazônia das Artes.A apresentação do espetáculo de bonecos “O Espelho da Lua” está marcado para 19h30, com entrada franca. Com manipulação direta de bonecos, a trama conta a estória de guerreiros indígenas que, apaixonados, fazem de tudo para conseguir os seus intentos amores. É, na verdade, a lenda da Vitória Régia, em uma versão romanceada.
A índia Naiá se apaixona pela lua e desaparece no rio onde a lua é refletida, sendo encantada, depois, em uma flor Vitória Régia. Nesta história, porém, surge outro personagem na história, o índio chamado Aitiê, que é apaixonado pela indiazinha e tenta de todas as formas tirar Naiá do caminho até a Lua.
O grupo de teatro “De Olho na Coisa” originou-se do teatro popular pela iniciativa de José Marques de Souza (Matias), em 1971, nas comunidades periféricas situadas na cidade de Rio Branco, no Acre.
Desenvolve ações junto a minorias como os sem-teto, os sem-terra, meninos e meninas em situação de rua, migrantes e seringueiros em más condições de sobrevivência, tendo como estratégia trabalhar com o teatro para fazer denúncias das injustiças sociais, daí o nome De Olho na Coisa.
Assim, juntou-se a outros movimentos como as comunidades eclesiais de base da igreja católica, entre outros. Paralela a essa ação política realizou oficinas e montou espetáculos, promoveu encontros e reuniões artísticas tendo contribuindo no fortalecimento do movimento artístico no Acre.No final da década de 1990, após a perda de seu grande mestre Matias, o grupo sofreu uma lacuna na sua produção e, a partir de 2001, construiu uma oficina/montagem, conseguiu novamente aumentar sua produção teatral, onde passou a montar dois espetáculos por ano.
O grupo de teatro de Olho na Coisa, no decorrer de sua existência já montou mais de 30 espetáculos e esquetes. Atualmente, vem trabalhando com quatro espetáculos: A História do Homem que Vendeu a Alma ao Diabo e quase Perdeu o seu Amor; O Circo do seu Bolacha; Quadrilha – um Romance Sertanejo; e O Espelho da Lua.
Para saber mais sobre o movimento cultural no Acre, acesse também o Blog em homenagem ao fundados do grupo, o Mestre Matias.
Fonte: Holofote Virtual
sábado, 26 de junho de 2010
Além da Letra - Depoimentos
Na primeira de minhas andanças com o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER), conheci Matias, um dos participantes da Oficina que orientei então(Rio Branco (Acre), idos de 1993). Seringueiro e ativista cultural, figura marcante pela simplicidade, irradiou poesia e iluminou meu trabalho naquele Encontro. Mas eu nem imaginava a importância dele para aquela região. Relembrando-o, agora, busquei mais informações com Francisco Gregório Filho, companheiro do PROLER, que também conheci naquela ocasião – professor de Artes Cênicas, escritor, contador de histórias, fazedor de pipas, que agora também inova assumindo a primeira Secretaria de Leitura do Brasil (Nova Friburgo-RJ). Ambos são poetas acrianos inesquecíveis, juntos no texto que afavelmente me enviou Gregório. (MHM)
O MATIAS
José Marques de Sousa, o Matias, seringueiro e ativista cultural fez uma trajetória longa e diversificada, dos seringais do Vale do Juruá até sua participação em movimentos sociais, em Rio Branco (Acre), como teatrólogo. Utilizava o teatro para denunciar e reivindicar melhores condições de vida para as comunidades menos favorecidas. Homem seringueiro – castanheiro, extrativista – década de 1970 – Rio Branco – Acre. Matias e sua família, já moradores da “periferia”, baixada, Aeroporto Velho, Baía, Palheral, bairros de invasão. De ex-seringueiros, expulsos dos seringais pelos fazendeiros e seus jagunços. Conflitos das terras adquiridas por esses fazendeiros do sul do país dos antigos seringalistas. Transações consideradas “empreendimentos” e receberam incentivos do governo federal, a partir do governo Médici: ocupação da Amazônia.
Pois bem, minha querida professora Maria Helena Martins, nessa década de 1970 é que fui conhecer aquele homem forte, falante, com expressão larga, pele queimada do sol e com alguns dentes quebrados e outros já extraídos da boca, sob um pequeno bigode de fiapos de cabelos desalinhados. Matias gostava de andar pelas ruas dos bairros e muitas vezes pelo centro da cidade sem camisa ou de camisa aberta no peito.Suava muito, vivia ensopado de suor. Demonstrava uma luta cotidiana para conseguir o “feijão com arroz” para alimentar os filhos. Os pés sempre enfiados naquelas sandálias de dedo ou em alpargatas.
Uma fala mansa, macia, mas quando precisava, projetava-a de forma vigorosa. Conheci Matias numa sessão do Cineclube Aquiry, com o Programa Circuito nos bairros, projetando o filme Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro de Graciliano Ramos. Durante o debate ouvi a voz contundente daquele homem que parecia personagem de filme. Fiquei comovido com aquela imagem e aquele discurso vibrante, duro e esperançoso. Um homem pós-alfabetizado e leitor de mundos (dos humanos e suas lutas sociais, políticas e culturais).
Convidei o Matias para almoçar comigo no dia seguinte. Almoçamos um prato-feito no Mercado Velho de Rio Branco, na pensão de dona Nazira: Feijão, arroz, farinha e cozido de costela de boi com jerimum. Soube então que Matias queria desenvolver com seus vizinhos as chamadas “dramatizações”. Já elaborava algumas cenas na cabeça sobre fatos ocorridos recentemente com as famílias moradoras daqueles bairros.
À época (1976 a1979) eu dirigia no Acre o Departamento de Assuntos Culturais – DAC e ainda produzia dois programas de rádio, o Perfil Contemporâneo, na radio Difusora Acreana e Momento Experiência, na Rádio Novo Andirá. Logo o convidei para participar dos programas e a assistir a espetáculos de teatro do Grupo Ensaio, nos quais eu fui diretor e ator.
Matias esboçava já em folhas soltas de papel a escrita de algumas cenas das dramatizações sobre o esforço de muitos pela sobrevivência e participação político-social. Naqueles anos eu também escrevia, de uma maneira muito simples, algumas peças de teatro sobre temas relativos às lutas sociais. Escrevia e promovia umas leituras para grupos de jovens das igrejas católicas, engajados na Teologia da Libertação e nós chamávamos de Pastoral da Juventude da Prelazia do Acre que tinha a coordenação do Bispo Dom Moacir Grecci.
Matias também participava dessas leituras e debates. Era também chamado por nós de Baia, mas até hoje não tenho muita clareza sobre o porquê do apelido. Nesse período, na segunda metade da década de 1970, recebemos em Rio Branco a visita Aldomar Corrado, professor de teatro, da Escola de Teatro da FEFIERJ, do Rio de Janeiro. O professor e dramaturgo, que naquele período, era assessor do Serviço Nacional de Teatro (SNT) foi comigo assistir ao espetáculo do Grupo das Dramatizações do Matias, que se apresentava num espaço comunitário do bairro Aeroporto Velho. Naquele espetáculo o grupo encenava a morte de um rapaz pela polícia, fato real, ocorrido há alguns dias atrás. Matias conseguiu que a mãe do rapaz morto subisse ao palco para interpretar sua própria personagem. Coisa de doido. Fulminante. Emoção Pura. Depois o debate corria até tarde da noite de forma vibrante. Tempos depois o professor Aldomar escrevia sobre aquela experiência numa revista de teatro da SBAT (Sociedade Brasileira de Teatro) e em relatórios do SNT. Ganhou repercussão nacional quando foram publicados.
Matias criou então o grupo de teatro “De olho na coisa” que participou do Teatro Barracão, da Federação de teatro Amador do Acre e do movimento de teatro amador brasileiro.
Professora Maria Helena, assim lembro de Matias, poeta, dramaturgo, encenador, militante cultural e grande guerreiro das causas sociais e artístico-culturais do Acre.
Depois, lá pelos anos de 1987, quando fui presidente da Fundação de Cultura do Estado, chamei o Matias para participar da minha equipe e ele dirigiu e coordenou as atividades do Teatro Barracão.
Essas são minhas lembranças, por ora, desse homem criador e produtor cultural. Lembranças muito associadas à minha própria história de vida e trabalho. No início dos anos 1990, com o Programa Nacional de Incentivo à leitura – Proler, da Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura, reencontrei Matias durante a programação de um seminário de leitura do qual você, professora querida, participava, ministrando uma oficina de leitura e memória. Matias participou de sua oficina, não foi? É isso mesmo?
Bom, você vai saber lembrar melhor do que eu, sim?
Bom, você vai saber lembrar melhor do que eu, sim?
Matias fez a passagem dele. Fica conosco essa memória desse brasileiro, artista, inventivo, crítico, protagonista de belas histórias para se contar e preservar. Quando encontrá-lo novamente vou pedir a benção e cantar como cantávamos juntos:
”mandei caiar minha casa
”mandei caiar minha casa
Mandei... mandei... mandei...
Mandei caiar de amarelo
Caiei... caiei... caiei...”
Francisco Gregório Filho
- Rio de Janeiro, fev/2010
Fonte: http://www.celpcyro.org.br/
Pernas de pau
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