sexta-feira, 18 de maio de 2012

TARAUACÁ: NO LIMIAR DE SEU CENTENÁRIO


Isaac Melo

 

BREVE HISTÓRICO


O século XIX é um século de grandes explorações na Amazônia. Surgem as famosas expedições de Francisco de Orellana, William Chandless, Henry Walter Bates, Alfred Russel Wallace, Spix e Martius, Francisco Castelnau e Deville, sem falar nos inúmeros exploradores que subiam os rios amazônicos em busca das chamadas "drogas do sertão" e, posteriormente, atraídos pela borracha.

É difícil precisar quando a região de Tarauacá começou a ser povoada. Sabe-se que em 1850, o Padre Constantino Tastevin, no seu livro Le Fleuve Juruá, refere-se a um amigo português que subiu frequentes vezes o Juruá até Marari, e até mesmo ao rio Tarauacá, para troca de produtos europeus com os índios, que cambiavam produtos nativos da região. Mas um dos primeiros a percorrer a região foi João da Cunha Correia, este já em 1854 havia divisado as águas do "rio das tronqueiras".

A Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE 1957 e 1960) por sua vez ressalta que a exploração das terras marginais do “Tarauacá”, intensificou-se a partir de 1877, com a emigração de nordestinos. Em 1899, um grupo de imigrantes chega à confluência do rio Muru com o Tarauacá, fundando aí, o seringal “Foz do Muru”, que em breve cresceu de importância, pois era aí o ponto de partida para as explorações dos altos rios. O marco inicial, porém, da verdadeira história da desbravação da região, a se ter notícia positiva, data do ano de 1890, quando um grupo de desbravadores penetrou nos rio Muru e Tarauacá, na exploração de demarcação de longas faixas de terras, e formaram os primeiros seringais.

Seringal Foz do Muru, desenho em bico de pena de Percy Lau a partir de uma fotografia. Da esquerda para a direita: barraca do motorista de rio; barracão, morada do proprietário e sua família; barraca, hospedaria dos empregados; armazém e loja. No porto, batelões com motogodile à popa. Este conjunto erguia-se à margem direita do rio Muru, cuja foz, no rio Tarauacá, estava a cerca de duzentos metros, a contar do barracão, para a esquerda de quem vê o desenho. Antes de serem tragadas pelo rio, essas contruções foram demolidas. (informações em TOCANTINS, Leandro. Os olhos inocentes. São Paulo: Philobiblion, 1984. p. 201)

 Foz do Muru, posteriormente também chamado Bairro Leôncio de Andrade, chegou a ser formado por um conjunto de casas de madeiras, algumas com telhas francesas, que davam à construção as insígnias patriarcais de uma casa-grande. O paraibano Alfredo Lustosa Cabral, depois de sete anos no seringal Redenção, Alto Tarauacá, de propriedade de seu irmão, de regresso a Patos, sua terra natal, registra o dia em que Tarauacá foi elevada à categoria de vila:

“Em princípio de janeiro de 1907, chegara ao porto de Redenção o navio “Manauense”, da firma comercial J. H. Andersen & Cia. embarcação nova, havia chegado dos estaleiros de Liverpool e a primeira viagem empreendida foi essa ao Tarauacá. Baixamos e, com dois dias, ancoramos na foz do Muru onde se encontravam seis navios fora o nosso. Chegamos felizes, pois havia ali uma festa. Estavam-se inaugurando, nesse dia, Vila Seabra. Achavam-se presentes todas as autoridades – juiz, promotor, tabelião, delegado, agentes do fisco.
Assistimos à festa, ouvindo discursos, vivas, apitos de navios e espocar de garrafas.
À tarde, o seringal da boca do Muru, já era vila Seabra, tomando o nome daquele conhecido vulto da política nacional.
Findos os discursos, ouvia-se o hino da Pátria por um gramofone e, ao som do mesmo, danças animadas com os discos da Casa Edson.
Não havia mulher na festa.
Às cinco horas da tarde, saiu pela mata uma comissão tendo, à frente, autoridades locais, para a inauguração de algumas avenidas, deixando-se nas mesmas as respectivas placas.” (CABRAL, 1984, p.107)

Tarauacá, enquanto vila, foi inaugurada pelo Dr. João Virgulino de Alencar, em 01 de janeiro de 1907, edificada inicialmente numa área medindo 500 x 400 metros, doada pela firma J.V. de Meneses e Filho, sendo ofertante os sócios José Vitorino de Meneses e Juvêncio Vitorino de Meneses, este proprietário do seringal Novo Destino, rio Tarauacá, falecido em Belém do Pará em 16 de março de 1914. Em 1904, com a primeira divisão territorial-administrativa dada ao Acre, Tarauacá passa a figurar no Departamento do Alto Juruá, sendo desmembrada deste Departamento em 1912, quando passa a constituir a sede do Departamento do Tarauacá, instalado em 19 de abril de 1913, data que deu origem as outras na qual teve início a vida do município. A prefeitura do Departamento foi instalada pelo coronel Antônio Antunes de Alencar, que se tornou o primeiro prefeito deste Departamento, permanecendo no cargo até 27 de julho de 1914.

Coronel Antônio Antunes
de Alencar
Antônio Antunes de Alencar era um dos seringalistas que havia lutado ao lado de Plácido de Castro na Revolução Acreana. Era o chefe do batalhão chamado Acreano composto por aproximadamente 360 homens. Também foi membro do Conselho Municipal de Xapuri (desfeito logo após Plácido tomar frente à Revolução), criado pelo Intendente boliviano Juan de Dios Bulientes com o intuito de pacificar e assim ter o domínio sobre o território acreano. Além disso, Antônio Antunes de Alencar foi aclamado governador provisório do Estado do Acre pelo Partido Autonomista do Juruá que havia instituído uma Junta Governativa por volta do ano de 1910. Sabe-se que até 1938 ele trabalhava e vivia no sertão baiano.



Enquanto município, Tarauacá foi criado em 24 de Abril de 1913 pelo então Dr. Sansão Gomes de Sousa com o nome de Seabra, em homenagem ao Ministro da Justiça do Brasil José Joaquim Seabra. Nesse ano, Seabra contava com uma população de 813 habitantes, sendo 523 homens e 290 mulheres, destes apenas 34 eram naturais do Território. Sansão Gomes faleceu em Belém do Pará, em 14 abril de 1931. O sistema de intendência no Brasil perdurou até 1930, quando mudou-se a designação de intendente para prefeito, como permanece até hoje. Fora então Sansão Gomes o primeiro prefeito de Tarauacá.

A 1º de outubro de 1920, em face da nova organização territorial administrativa dada ao Acre, é extinto o Departamento do Tarauacá, continuando todavia em vigor o Município de Tarauacá. Em 1943, em virtude do Decreto-lei Federal nº 6.163, a cidade de Seabra mudou a sua designação para “Tarauacá”, palavra de origem indígena que quer dizer “rio dos paus ou das tronqueiras”.
Tarauacá inicialmente foi uma cidade planejada, como revela sua planta.

OS PRIMEIROS HABITANTES

Índios Kaxinawá em Transwaal, 
no rio Jordão, afluente do rio Tarauacá, 
em 1924. Foto Blog do Netuno
Não dar para falar da história de Tarauacá, a começar pelo seu próprio nome, sem mencionar a presença marcante dos povos indígenas. A região era habitada por diversos grupos, os quais a maioria brutalmente foram massacrados, expulsos ou amansados. O marechal Candido Rondon chegou a registrar os seguintes grupos nessa região no início do século XX: Amauaca – localizado no rio Jordão; Bendiapa – localizado no rio Gregório, afluente do Juruá (Aruak – Katukinas); Catuichi – no rio Gregório; Kaxinawa – no rio Jordão e rio Muru; Contanau – no rio Tarauacá; Kurina ou Kulino – no riozinho de Pebedo (sic) e rio Gregório; Jaminawa – nos rios Envira, Tarauacá e Breu.

Em seu relatório ao Ministério da Agricultura referente ao ano de 1910, o engenheiro João Alberto Masô, denunciava a violência contra os povos indígenas. Narra ele o brutal fato ocorrido em 1899, quando no Rio Gregório foram mortos aproximadamente 400 índios da Tribo Ajubins, provavelmente extinta, pelo peruano Carlos Scharff e seu conterrâneo Eufrain Ruiz. Carlos Scharff trucidou ainda todos os indígenas das Tribos Jaminara (sic), no rio de mesmo nome, e os que habitavam o Paraná do Ouro.

Inúmeras foram as “correrias” realizadas pelos exploradores para expulsar os indígenas das terras com o intuito de abrir seringais. Tarauacá abrigou um dos maiores algozes dos povos indígenas, o lendário e sanguinário Pedro Biló. Alfredo Lustosa Cabral narra uma dessas correrias no início do século XX nas proximidades do seringal Primavera, no Alto Tarauacá, contra os catuquinas:

“De pronto, foi organizada uma correria.
Era preciso ação pronta, decidida, urgente. Compunha-se de vinte homens com trezentos cartuchos Winchester cada um. (...) Penetrando na mata foram dar com as malocas depois de terem andado três dias. (...) Tomaram chegada às seis horas, hora em que o selvagem costuma estar reunido. Dormiram a certa distância do aceiro. Às cinco da manhã, avançaram formando cerrado tiroteio.
A mortandade foi grande, mas escafederam-se muitos.
Aproximando-se dos barracões conseguiram prender uns 15 corumis. Os novinhos deixaram. (...) De regresso, os prisioneiros começaram a gritar demais, sendo preciso abandoná-los, deixandos à toa, perdidos. Outros praticavam selvageria destampando a cabeça dos inocentes com balas.” (CABRAL, 1984, p. 61)

Ao todo só nessa região do Departamento do Alto Juruá vivia uma população de aproximadamente 20 mil indígenas. Hoje no Acre todo são um pouco mais de 15 mil, segundo dados do IBGE 2010, sendo Tarauacá o segundo município acreano em concentração de terras indígenas, com oito áreas que equivalem 9,8 % do município, distribuídos em 30 aldeias, com aproximadamente 1639 habitantes.

OS PRIMEIROS DESBRAVADORES

Entre os primeiros desbravadores da região de Tarauacá estão os nordestinos. Entre eles encontramos os nomes de João, José e Antonio Marques de Albuquerque. Este faleceu no seringal Paraiso, rio Muru, em 11 de novembro de 1919, sendo um dos desbravadores desse rio; Antonio Patriolino de Albuquerque – um dos desbravadores do rio Tarauacá, faleceu em agosto de 1914 na Estrada de Ferro de Bragança, estado do Pará; Antonio Frota de Meneses – grande comerciante aviador e desbravador da região, falecido no Rio de Janeiro no dia 25 de setembro de 1915; Manoel Probem de Albuquerque – um dos desbravadores dos rios Tarauacá e Envira. Faleceu na fazenda Corcavado, em Tarauacá, no dia 11 de agosto de 1943, aos 81 anos de idade; Hipólito de Albuquerque e Silva – um dos desbravadores e prefeito de Tarauacá. Pai do escritor José Potyguara; Joaquim Gonçalves de Freitas; Joaquim Teixeira de Sousa; Francisco Caetano de Oliveira; Francisco Queiroz de Oliveira; etc. A maior parte destes ajudou a fundar o seringal Foz do Muru.

ELETRICIDADE

Exemplo de uma Locomovel importada 
da Europa. Esta fica no museu 
de Usina Velha, em Ijuí – RS.
A primeira usina de luz elétrica em Tarauacá foi inaugurada no dia 12 de junho de 1920. Fora adquirida pelo capitão Agnelo de Sousa, e ficou sob a responsabilidade da Intendência. Três anos depois, em 19 de agosto de 1923, o então motor de explosão existente na Usina Elétrica foi substituído por uma locomovel, vinda de Cruzeiro do Sul, cedida pelo governo do Acre. A locomóvel, uma máquina a vapor, foi usada no início do século XX nas grandes indústrias e também na produção de energia elétrica em cidades do interior. Uma nova Usina em alvenaria foi construída no dia 05 de fevereiro de 1943, na administração do prefeito Manoel Vieira da Cunha.

O CINEMA EDISON

Tarauacá teve a primeira casa de cinema do Departamento. Trata-se da Empresa Cinematográfica EDISON, de propriedade de José Moreira de Resende, inaugurada em 08 de Agosto de 1915. O cinema contava com um pequeno botequim interno, e oferecia a seus clientes ingressos a custo de 3$000 na primeira classe, e 2$000 na segunda. Entre outros filmes, chegou a exibir: Sorte de Juliquever, O Diamante de Budha, Tortoline rouba a bicicleta, O vencedor de Cadiz, A Tormenta, Jerusalém Libertada e Irreparável. Em ocasiões especiais chegava a ter duas sessões diárias. Também há referência de que a data de fundação do Cinema Edison é 06 de dezembro de 1915, menos provável.

GRÊMIO ACREANO

Entre uma das primeiras agremiações em Tarauacá encontra-se o Grêmio Acreano, inaugurado em 05 de abril de 1914, com um alentado discurso pronunciado, como diz um jornal contemporâneo, pelo Dr. Oscar de Paula Guimaraens, à época, redator-chefe do Jornal O Estado, orgão de interesse do Departamento.

SOCIEDADE MUSICAL EUTERPE TARAUACAENSE

Música e dança desde cedo fizeram parte da vida social tarauacaense. O primeiro a oferecer aulas de danças foi o professor José Júlio Nogueira, no ano de 1916. O professor Nogueira dava aulas em sua própria residência. Quanto à música, Maria Amelia de Souza Magalhães, professora diplomada pelo Instituto Nacional de Música, dava aulas de piano (teoria e solfejo). Também em 1916 o professor Simplício Ribeiro iniciava a Sociedade Musical Euterpe Tarauacaense.

CENTRO LITERÁRIO E RECREATIVO DR. LAURO SODRÉ

A literatura também fora algo levado em consideração pelos primeiros habitantes de Tarauacá. Assim, no domingo, 18 de março de 1917, era iniciado por José Rodrigues Bispo de Santiago, em sua alfaiataria, sob a presidência do Dr. Oswaldo Hardman Castello Branco, promotor público da comarca, o Centro Literário e Recreativo Dr. Lauro Sodré. A alfaiataria de Bispo de Santiago denominava-se Atelier Acreano, e localizava-se no Bairro Senador Pompeu.

SOCIEDADE SPORTIVA E DRAMATICA TARAUACAENSE

Esporte e dramaturgia muito mexeram com a sociedade tarauacaense. As apresentações teatrais inicialmente ocorriam no palco do grupo escolar João Ribeiro. Aí se deu as primeiras apresentações da “Sociedade Sportiva e Dramatica Tarauacaense”, fundada por iniciativa dos sócios José da Cruz de Sá, Bento Marques de Albuquerque, Antonio Murú Ramos de Meneses e Manoel Honorato de Souza. A esse grupo também se integraria o escritor e promotor José Potyguara e o maestro Mozart Donizetti. Com a fundação do Teatro Municipal, em 1933, as apresentações da Sociedade passaram a ocorrer aí. Já em 08 de dezembro de 1942, um grupo de desportistas fundava dois clubes denominados “Guarani” e “Tarauacá”.

CASAS COMERCIAIS E SERVIÇOS

CASA ACREANA – propriedade de Antônio da Costa Santos e Cia. Localizava-se à margem do Rio Tarauacá.
ATELIER ACREANO – propriedade de José Rodrigues Bispo de Santiago. Localizava-se no bairro Senador Pompeu.
PENSÃO SAPHA – propriedade do comerciante José Sapha. Era um hotel de primeira ordem e localizava-se na Rua do Comércio, no bairro Senador Pompeu.
PALMIRINHA – propriedade de Raimundo Moura. Era uma fábrica de cigarros especialmente manipulados à mão. Cigarros Bragantinos e Acaráenses.
CASA SAMARITANA – propriedade de Nagip Said, fundada em 1921.

JORNAIS


Exemplar do Jornal Official 
destacando o assassinato de
 Sólon da Cunha

O MUNICÍPIO – primeiro jornal fundado em Tarauacá. Era propriedade de Pedro Gomes Leite Coelho, teve como gerente Henri Froissart. O primeiro número saiu em 28 de setembro de 1910. Um incêncio, em 14 de fevereiro de 1914, devorou o prédio e as oficinas do jornal. Leite Coelho faleceu em Tarauacá no dia 11 de outubro de 1937.

A ALVORADA – jornal fundado em 11 de agosto de 1913 pelos operários do jornal O Munícipio.

O ESTADO – o jornal era orgão oficial da prefeitura do Tarauacá. Seu primeiro número saiu em 29 de janeiro de 1914, e se manteve apenas por esse ano. Tinha como redator-chefe Dr. Oscar de Paula Guimaraens.

O TARAUACÁ – surgiu em substituição ao jornal O Estado. Passou a circular a partir de 11 de outubro de 1914.

O DEPARTAMENTO – também orgão da prefeitura, sob a direção do Coronel José Vicente Assumpção, prefeito do Departamento. Seu primeiro número circulou em 15 de novembro de 1914. O jornal perdurou até 02 de abril de 1916.

Máquina de impressão do jornal O Tarauacá, que era 
impresso no porão do Teatro Municipal. Década de 1970.
Foto: Tarauacá Notícias
Exemplar do Jornal O Tarauacá. Década de 1970. Foto: Tarauacá Notícias
JORNAL OFFICIAL – entrou no lugar de O Departamento. Foi fundado pelo funcionário da Prefeitura, Severiano Rodrigues, tinha como redator o advogado Bezerra Filho. O primeiro número circulou em 11 de abril de 1916. Esse jornal noticiou e registrou todo o episódio que envolveu a morte do delegado Sólon da Cunha, filho de Euclides da Cunha, no Seringal Mira Flores, Rio Envira. O jornal foi extinto em 08 de abril de 1918.

A REFORMA – jornal de propriedade e direção do coronel José Florêncio da Cunha. O primeiro número saiu a 12 de maio de 1918. O jornal perdurou até 1925, retornando no ano de 1929, e permaneceu até 1934. Caracterizou-se por ser um periódico de oposição aos prefeitos do Departamento de Tarauacá. Florêncio da Cunha, pai de Gualter Marques Batista, por sua vez, pai de Djalma Batista, foi advogado no departamento de Tarauacá e Tefé (AM), e também prefeito das respectivas cidades.

ACRE FEDERAL – sua primeira edição saiu em 14 de março de 1932, sob a direção do advogado Dr. Rafael Dornelas Camara e outros.

OPERARIO ACREANO – o primeiro número circulou na cidade em 15 de dezembro de 1932, sob a direção do Dr. Custódio Freire e Raimundo Eustáquio de Moura.

IGREJA

Igreja de São José na cidade de Tarauacá, toda construída de madeira, e coberta quase totalmente com folhas de palmeira. (Nota de Antônio Teixeira Guerra, em 1955. // Foto: Tibor Jablonsky do C.N.G.)
Atual Igreja Matriz de São José.
A presença da Igreja Católica nessa região se deu com o Pe. Raimundo Fernandez, de Belém, em 1885. Mas só em 1913 é erguida uma capelinha, pelo então Pe. José Frisch. A construção de uma capela maior se deu a partiu da iniciativa da senhora Evangelina Valverde de Vasconcelos, esposa de José Thomas da Cunha Vasconcelos, que fora prefeito de Tarauacá, deputado e governador nomeado do Território do Acre. No dia 30 de abril 1916 ela reuniu diversas pessoas e juntas decidiram construir a capela de São José. O local escolhido localizava-se na então chamada Praça São José, o terreno pertencia ao tenente Raphael Maurício Belém, e foi adquirido pela comissão por dois contos de réis (2:000$000). Mas só no dia 27 de outubro de 1924 deu-se início a construção da capela, que ficou pronta em 1925, sendo que no dia 19 de março foi transladado de um altar improvisado no grupo escolar João Ribeiro, para a nova capela a imagem de São José, em procissão. O primeiro vigário nomeado pela prelazia do Alto Juruá a Tarauacá foi Padre José Bischosfberger, que chegou à cidade em 14 de junho de 1936. A cidade inaugurou mais adiante, na vépera de natal de 1938, a nova igreja de São José, esta permanceu até 1956, quando foi construída a atual Igreja São José, estando à frente da paróquia os Padres Guilherme e Henrique Klein.

O TEATRO MUNICIPAL

O Teatro Municipal, hoje Teatro José Potyguara, foi fundado no dia 26 de Janeiro de 1933, tendo sido erguido pela Dona Constância de Meneses, com projeto de Inú Ximenes, velhos comerciantes de Tarauacá, na administração municipal de José Florêncio da Cunha. Em seu palco encenou-se peças teatrais do escritor José Potyguara e peças orquestrais do maestro Mozart Donizetti, autor da música do Hino Acreano. Por muitos anos o teatro permaneceu como o principal ponto de encontro das famílias tarauacaenses, o lugar dos saraus, peças teatrais, cantatas, músicas ao piano, bailes, eventos beneficentes. É hoje o principal monumento dos tempos áureos da borracha em Tarauacá.

CENTRO CEARENSE DO TARAUACÁ

Particularidades de uma terra na qual havia uma presença marcante de nordestinos cearenses, sendo que em 25 de Março de 1914, era instalado, numa casa em que um dia funcionou o Conselho Municipal, o Centro Cearense do Tarauacá, por iniciativa de Júlio Pereira Rocque, João Frota Menezes e Francisco de Assis Bezerra Filho, cearenses, é claro!

O Centro Cearense do Tarauacá abrangia todo o departamento de mesmo nome. Funcionou de fato e com plena organização. Em seu estatuto regimental, o auxílio e proteção ao Ceará precediam a do departamento. Eis o primeiro artigo, ipsis litteris:

“Art.1. O C.C. com sede em Vila Seabra é uma associação que tem por fim auxiliar e proteger o Ceará, o departamento do Tarauacá, os cearenses e os seus associados quando e como se fizer preciso e na medida de suas forças.”

O segundo artigo, entre outras coisas, apregoava que admitia-se para sócios do Centro exclusivamente os filhos do Ceará. É importante lembrar que poucas pessoas, à época, eram naturais da região. Sendo assim, não há nada de anormal a ideia de um centro onde os patrícios pudessem se encontrar, manter suas tradições, etc. como ocorreu no Sul do país e em muitos outros lugares ao redor do mundo.

Entre outras funções, o Centro Cearense tinha como objetivo promover a criação de um Jornal, “O Cearense”; fundar uma sala de leitura e biblioteca organizada, o que de fato aconteceu; criar um curso noturno (aliás, aí deu aulas de português o Dr. Hugo Carneiro, que mais tarde se tornaria governador do Acre, à época exercia a advocacia em Tarauacá); um horto botânico e campos de aclimação de plantas; fazer plantios ordenados de seringueiras; organizar orçamentos e fazer plantas, etc. Sem dúvida, um trabalho pioneiro e ousado, para época e região, e que, na verdade, se tornou uma das primeiras experiências de organização da sociedade tarauacaense.

Conforme constava no artigo segundo do estatuto, o Centro funcionaria até 24 de Fevereiro de 1915. Sabe-se, no entanto, que o Centro Cearense do Tarauacá prolongou-se por mais algum tempo e tornou-se uma referência para a sociedade local da época.

LETRAS TARAUACAENSES

A publicação literária, apesar de escassa, não foi de toda olvidada no início da história de Tarauacá. Relatórios e relatos, além dos jornais, compõem o quadro dos primeiros cronistas e das primeiras manisfestações literárias referentes à cidade. Um dos primeiros trabalhos a se referir a Tarauacá foi o livro “Cartas do Acre”, do advogado e promotor público do Alto Juruá, Antônio José de Araújo, publicado em 1910 no Rio de Janeiro. O livro surgiu a partir de uma série de Cartas enviadas do Alto Juruá ao proprietário do jornal “O Palladio”, da cidade de Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Entre as cartas, estão quatro escritas em Foz do Muru e Vila Seabra, entre 08 de setembro de 1909 e 12 de março de 1910. Outro livro que registra esse período, apesar de ter sido publicado apenas em 1949, é “Dez anos no Amazonas: 1897-1907” do paraibano Alfredo Lustosa Cabral. O livro é bastante rico em detalhes da vida nos seringais, seu desbravamento, cultura, história, etc. O autor viveu esses dez anos no seringal Redenção, Alto Tarauacá, propriedade de seu irmão Silvino Lustosa Cabral.

Nos jornais locais por sua vez despontaram os nomes de Luis de França, Brocoyó Filho, Hermes Fontes, Aristarcho, Ulysses Castello Branco, Hito Roiz, Waldemiro Potsch, Carlos Nascimento, alguns escrevendo poesias de cunho social. Maior parte não era natural da cidade, uma literatura, portanto, feita a partir da visão do elemento “colonizador” refletindo acerca da realidade local. Só com o passar dos anos é que foram surgindo vultos de expressão literária naturais de Tarauacá, dentre os quais se destacam:

JOSÉ GUILHERME DE ARAÚJO JORGE (Tarauacá, 20 de maio de 1914 – Rio de Janeiro, 27 de Janeiro 1987) – o maior poeta nascido nessa terra. Ganhou projeção nacional, e se tornou um dos poetas mais lidos do Brasil à sua época. Foi candidato a vereador e a deputado estadual e federal no antigo Distrito Federal (posteriormente estado da Guanabara), hoje Rio de Janeiro. Sendo eleito deputado federal em 1970, pela Guanabara, reelegendo-se para o terceiro mandato, em 1978. Recebeu o título de Poeta do Povo e da Mocidade. Publicou ao todo 36 livros, traduzido em diversos países, com milhões de exemplares vendidos.

DJALMA DA CUNHA BATISTA (Tarauacá, 20 de fevereiro de 1916 — Manaus, 20 de agosto de 1979) – cientista, pesquisador, escritor, literato, homem de profunda cultura. Formou-se em Medicina pela conceituada Faculdade de Medicina da Bahia, em 1939, tornando-se um dos médicos mais conceituados da região Norte pelas suas pesquisas, entre outras no campo da Tisiologia. Foi presidente por três vezes da Academia Amazonense de Letras e presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Publicou, entre outras, as seguintes obras: Letras da Amazônia (1938); Da Habitalidade na Amazônia (1965); O Complexo da Amazônia (1976); Cartas da Amazônia (1989, póstuma), publicado por Guimarães de Oliveira. Em 1996 foi publicado sobre ele o livro “Djalma Batista: um humanista da Amazônia”. A editora Valer, do Amazonas, reeditou algumas de suas conferências num livro intitulado Amazônia, Cultura e Sociedade (2003), e O Complexo da Amazônia, a mais importante obra de Djalma Batista.

RAIMUNDO ACREANO RODRIGUES DE ALBUQUERQUE, o Raimundo Rodrigues (Tarauacá, 26 de outubro de 1919 – São Paulo, 03 de outubro de 2010) – poeta, escritor, professor e jornalista. Pertenceu a várias academias de letras, entre elas, maçônicas. Viveu desde 1965 em São Paulo, onde faleceu. Escreveu inúmeras obras didáticas, maçônicas, e literárias, entre as quais: Riachão (1957); Trovas do Ontem e do Hoje (s/d); Sonetos e outras poesias (2009).

JOSÉ POTYGUARA DA FROTA E SILVA (Sobral, 1903/9? – Rio de Janeiro, 1991) – promotor de justiça, professor e escritor. Apesar de não ser acreano, Potyguara exerceu uma influência muito grande na cultura e na vida social de Tarauacá e do Acre, publicando livros, peças teatrais e revista. Escreveu: Sapupema: contos amazônicos (1942); Vidas Marcadas (1957); Terra Caída (1961); e Do seringal ao asfalto (1984). Entre as peças teatrais, escreveu Alma Acreana (1930) e Razões do Coração (1933).

LEANDRO TOCANTINS (Belém, 1928 – Rio de Janeiro, 01 de julho de 2004) – escritor, sociólogo, poeta, ensaísta. Chegou a Tarauacá com menos de um ano de idade, seus pais Van Dyck Amanajás Tocantins e Iraídes Góes, se estabeleceram, mais precisamente no rio Tarauacá, seringal Foz do Muru, de onde administravam seringais, herança da liquidação da Casa Aviadora Barbosa & Tocantins, de Belém. O escritor sempre fez questão de recordar a influência que exerceu sobre sua vida e escritos a vivência nessa região. Tornou-se um dos autores, à sua época, mais respeitados em relação ao estudo amazônico. Escreveu obras que se tornaram clássicas como O Rio Comanda a Vida (1952) e Formação Histórica do Acre (1961), agraciado com o Prêmio Joaquim Nabuco de História Social da Academia Brasileira de Letras. Sobre Tarauacá escreveu um livro de memórias chamado “Os Olhos Inocentes” (1984), que recebeu o Prêmio Osvaldo Orico da Academia Brasileira de Letras.

JOSÉ HIGINO DE SOUZA FILHO (Tarauacá, 1929 – Rio Branco, 21 de outubro de 2010) – escritor, membro da Academia Acreana de Letras. Era filho de José Higino de Souza, então grande pecuarista de Tarauacá, dono da Fazenda São José. Foi o fundador do SESI e SENAI no Estado do Acre, o qual esteve à frente por 17 anos. Escreveu SENAI – 10 anos contribuindo para o desenvolvimento do Acre; O trabalho vence tudo (1993); A Luta Contra os Astros (1994); e Segundo Hound (2009).

Entre os escritores naturais de Tarauacá vivos, encontramos:


FRANCISCA TRINDADE LOPES – nasceu no Seringal Estirão, em 1939, filha de Francisco Lopes de Lima e Raimunda Trindade Lima. É formada em História pela UFAC (1984). Reside em Rio Branco – AC. É autora do romance Ô de casa! (2003); e do livro Contos e Crônicas.


MARIA SILENE DE FARIAS – nasceu em 14 de novembro de 1951, filha de Maria Deusa de Farias Franca e José Farias Franca. Esteve sempre muito envolvida com o movimento Cultural no Acre a partir dos anos 80. Em 2002 organizou e publicou Bairro Quinze e Cidade Nova, por meio da Prefeitura Municipal de Rio Branco e Fundação Cultural Garibaldi Brasil, da qual ocupou cargo de Presidente. Participou, entre outras, da Antologia dos Poetas Acreanos 1986 e Coletâneas de Poesia Acreanas, da Cia Teatro 4o Fuso (1981).

NÚBIA WANDERLEY – filha de Benício Otto da Silva e Walzira Wanderley da Silva, nasceu em 21 de agosto de 1951. A poetisa foi por muitos anos professora em Tarauacá, onde reside. Publicou os seguintes livros de poesia: Miscelânea (1984); Miscelânea vol.2 (1986); Miscelânea vol.3 (1988); a publicar, Miscelânea vol. 4.

JOSÉ CARLOS DA ROCHA – estudou em Manaus e em Fortaleza, onde se formou em Direito. Participou de vários movimentos estudantis: foi diretor da Tribuna Acadêmica da Faculdade de Direito do Ceará, diretor da União Nacional dos Estudantes, representou o Brasil no Congresso Internacional de Estudantes, em Istambul. Ocupou vários cargos públicos e, hoje, como procurador aposentado, reside no Rio de Janeiro. Aos 19 anos, reuniu os seus poemas no livro "Ela e outras poesias", que, todavia, não publicou. Atualmente, está com o projeto de reunir toda a sua produção (poesias, contos, crônicas) num livro, que já tem título: "Retalhos". (A informação é do site Jornal de Poesia).


FRANCISCO ALVES DE FREITAS – poeta e professor, com mais de três décadas de docência. É Licenciado em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre. É autor das seguintes obras poéticas: O Homem, a natureza e o povo; e Brados de vida.


MOISÉS DINIZ – poeta, escritor e político. É formado em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre. Em 2011 tomou posse na Academia Acreana de Letras. É autor, entre outros, de: Exclamações Populares; A Bandeira Gêmea; O Santo de Deus (2009).

LUÍSA GALVÃO LESSA – professora, pesquisadora e escritora. É pós-doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; mestra em Letras pela Universidade Federal Fluminense; membro da Academia Brasileira de Filologia e da Academia Acreana de Letras. Pioneira na Iniciação Científica na Universidade Federal do Acre, com quotas, via balcão, pelo CNPq (1989); autora do Centro de Estudos Dialectológicos do Acre; autora do Atlas Etnolinguístico do Acre; autora do Dicionário Termos e Expressões Populares do Acre (1985); autora do Glossário do Vale do Acre: látex e agricultura de subsistência (1996); e autora do Dicionário do Acre (2003).

VULTOS POLÍTICOS, CULTURAIS E ARTÍSTICOS


ALTEVIR LEAL (Tarauacá, 24 de julho de 1928 – Rio Branco, 1999) – Armador, comerciante, industrial e grande pecuarista. Era filho do português Avelino Leal e de Maria Assunção Morais Leal. Exerceu dois mandatos de senador pelo Acre (1975 a 1979, 1983 a 1987). (Informações organizadas a partir da Wikipédia).

JOÃO MENDES OLÍMPIO DE MELO (Tarauacá, 16 de dezembro de 1917 – Teresina, 01 de agosto de 1979) – Filho de Matias Olímpio de Melo e Maria José Mendes de Melo, nasceu no Acre quando seu pai era Juiz de Direito no Estado. É engenheiro agrônomo formado pela Escola de Agronomia da Bahia, com especializações naArizona State University e no College of Agricultureem Iowa, e também pela antiga Universidade Rural do Brasil. Seu pai foi governador do Piauí entre 1924 e 1928 e se elegeu senador pela UDN em 1947 e 1954. Nesse ínterim, João Mendes Olímpio de Melo foi eleito prefeito de Teresina, em 1950, ingressando depois no PTB, legenda da qual foi presidente do diretório regional no Piauí. Exerceu o mandato de senador pelo Piauí e depois foi eleito deputado federal, em 1962, migrando para o MDB após a instauração do Regime Militar de 1964, figurando como primeiro suplente de deputado federal em 1966, sendo efetivado em 1969 após a cassação de Chagas Rodrigues. É pai de Guilherme Melo, eleito deputado estadual em 1986, vice-governador em 1990 e empossado governador do Piauí em 1994 após a renúncia de Freitas Neto. (Informações organizadas a partir da Wikipédia).

JOSÉ RUI DA SILVEIRA LINO (Tarauacá, 13 de agosto de 1924 – Brasília, 07 de julho de 1987) – filho de Manuel Lino Filho e de Edwiges da Silveira Lino. Engenheiro Agrônomo, foi inspetor do Ministério da Agricultura. Estreou na política pelo PTB e foi eleito suplente de deputado federal em 1954 e 1958 sem que exercesse o mandato. Foi nomeado governador do Território Federal do Acre pelo presidente João Goulart, posteriormente deixou o cargo para concorrer às eleições de 1962 quando foi eleito deputado federal. Foi reeleito à Câmara dos Deputados em 1966, 1970 e 1974. (Informações organizadas a partir da Wikipédia).

NABOR TELES DA ROCHA JÚNIOR – nasceu em Tarauacá no dia 07 de novembro de 1930, filho de Nabor Teles da Rocha e Rosaura Mourão da Rocha. Além de seringalista e comerciante, foi o primeiro governador do Acre eleito pelo voto direto após vinte anos, em 1982. Deputado estadual em 1962, 1966 e 1970 e deputado federal em 1974 e 1978, período em que migrou do PTB para o MDB após o Regime Militar de 1964. Senador em 1986, sendo reeleito em 1994. (Informações organizadas a partir da Wikipédia).

JOSÉ MARQUES DE SOUSA, o Matias (Tarauacá, 21 de janeiro de 1937 – Rio Branco, 25 de março de 1997), filho mais velho do migrante cearense Moisés Matias de Sousa e da acreana Maria Marques de Sousa, nasceu na colocação Ipu, seringal Restauração as margens do igarapé Penedo, em Tarauacá. Foi seringueiro, líder social, ator, diretor, teatrólogo e ativista cultural acreano. Utilizou o teatro amador para denunciar e reivindicar melhores condições de vida para as comunidades menos favorecidas. (Informações organizadas a partir da Wikipédia).

RAIMUNDO RIBEIRO MENDES, o Dim – ilustrador, cartunista e designer gráfico. Nasceu em 1964, autodidata, mais de 25 anos de profissão. Trabalhou nos jornais: O Jornal, O Diário do Acre, Folha do Acre e atualmente atua no Jornal A GAZETA como chargista e diagramador desde 1986. Dim foi o idealizador do I Salão Acreano de Humor. Tem obras de cartum espalhadas pelo Irã, Piracicaba (SP-Brazil), Kragujevac e Portugal.(Informação de Seção Judiciária do Estado do Acre - Espaço Cultural).

A HISTÓRIA PELA FOTOGRAFIA

Aspecto da rua do comércio, a mais importante da cidade de Tarauacá. A calçada suspensa de madeira vai até a margem do rio Tarauacá, ou mais propriamente, até a confluência deste rio com o Muru. Quase todas as casas do comércio que vemos na foto acima foram construídas de tábuas aparelhadas. Todavia no que diz respeito à cobertura esta pode ser de telha tipo francês, ou de folhas de zinco. Esta cidade já teve esplendor comercial quando a borracha alcançou o máximo, aliás isto é fácil de observar pelo próprio aspecto das construções e o tamanho das casas em relação com a vida parada que presenciamos nos nossos dias. Um aspecto comum é encontrarmos “pélas” arrumadas em frente da casa de comércio, como se pode observar na parte direita da foto, ou mesmo dentro da loja. (Nota de Antônio Teixeira Guerra, em 1955. // Foto: Tibor Jablonsky do C.N.G.)
Na cidade de Tarauacá um traço interessante da paisagem urbana é a existência das calçadas de cimento ou de madeira no meio da rua. Aliás todas as ruas da cidade possuem uma ampla calçada central e calçadas menores perpendiculares que dão acesso às residências. (Nota de Antônio Teixeira Guerra, em 1955. // Foto: Tibor Jablonsky do C.N.G.)
Aeroporto de Tarauacá. Arquivo Fotográfico Ilustrativo dos Trabalhos Geográficos de Campo.
Cadeia Pública, construída em 1920, pelo capitão Agnelo de Souza, então comandante da Companhia Regional, instalada em 11 de junho de 1916 pelo capitão do exército Eugênio Augusto Terral, seu primeiro comandante. (Informação em FILHO, José Higino de Sousa. A luta contra os astros. Recife: SENAI, 1994. p.234).
Banco de Crédito da Amazônia S.A. em Tarauacá. Arquivo Fotográfico Ilustrativo dos Trabalhos Geográficos de Campo.
Casas na rua Inocêncio de Menezes em Tarauacá (AC). Arquivo Fotográfico Ilustrativo dos Trabalhos Geográficos de Campo.
Fachada da Prefeitura e Teatro Municipal, em 1949.
Prédio onde, por mais de 70 anos, funcionou o Fórum da Comarca de Tarauacá, criada em 1913, sendo o primeiro juiz o Dr. Djalma de Mendonça, substituído, em 1915, pelo Dr. Matias Olímpio de Melo. (Informação em FILHO, José Higino de Sousa. A luta contra os astros. Recife: SENAI, 1994. p.233).
Grupo Escolar João Ribeiro, o mais antigo da cidade. Foi instalado em 20 de abril de 1921 pela professora Ernestina de França Cardoso, sua primeira diretora.
Mercado Público, construído em 1931 pelo prefeito capitão Hipólito de Albuquerque e Silva. A obra, que esteve a cargo do mestre Sebastião Alves Maia, considerado um verdadeiro artista na profissão, se compunha de dois compartimentos destinados a açougue e um espaço destinado ao comércio. No local, hoje, existe um hotel, o Tarauacá Palace Hotel. (Informação em FILHO, José Higino de Sousa. A luta contra os astros. Recife: SENAI, 1994. p.112).
Prédio onde funcionou a Prefeitura de Tarauacá até os anos sessenta. Ao lado, o Teatro Municipal. Perfilado, em frente, o Destacamento da Força Policial do município, em comemoração ao Dia da Pátria, no ano de 1949. (Informação em FILHO, José Higino de Sousa. A luta contra os astros. Recife: SENAI, 1994. p.111).
Rua com calçada de madeira. Foto de Hernondino Chagas.
Sede da Fazenda Corcovado situada num terraço de 200 metros de altura, e a pouca distância da margem direita do rio Tarauacá. A casa é toda construída de meadeira, e não está apoiada diretamente no solo e sim sobre estacas. Na parte interior da casa temos uma pequena parede de tijolos revestidos, e o telhado é todo feito com telhas do tipo francês. (Nota de Antônio Teixeira Guerra, em 1955. // Foto: Tibor Jablonsky do C.N.G.)
Seringal Estirão, no rio Muru, em Tarauacá. Propriedade de Francisco Santos. Possuía armazéns, escritório e estabelecimento. O fundo era de frente para o rio.
Rua com calçada de madeira. Foto de Hernondino Chagas.

Engenho Copacabana localizado próximo à sede da Colônia Marechal Hermes. O engenho é de propriedade da prefeitura municipal e utilizado pelos colonos para beneficiar os produtos, como seja a fabricação de farinha e de açucar mascavo. A prefeitura está, no entanto, providenciando um reequipamento deste engenho, transformando num “conjunto mecânico”. Em Tarauacá houve três colônias agrícolas: a colônia Marechal Hermes, fundada em 28 de junho de 1932 pelo coronel José Florêncio da Cunha; a colônia Epitácio Pessoa, fundada pelo Dr. Raimundo Vidal Pessoa, em 06 de novembro de 1921; e a colônia Joaquim Távora, do governo federal, porém, supervisionada pela Prefeitura. (Informações de Antônio Teixeira Guerra, em 1955. // Foto: Tibor Jablonsky do C.N.G.)




REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Antônio José de. Cartas do Acre. Rio de Janeiro: Typ. Jornal Commercio, 1910.
CABRAL, Alfredo Lustosa. Dez anos no Amazonas (1897-1907). Brasília: Gráfica do Senado, 1984.
COSTA, Craveiro. A Conquista do Deserto Ocidental. Brasília: Ed. Brasiliana, 1973.
FARIAS, Anastácio Rodrigues de. Diversos dados sobre o município de Seabra 1905-1943. Rio Branco, 1993.
FILHO, José Higino de Sousa. A luta contra os astros. Recife: Núcleo de Apoio Técnico Administrativo do Departamento Nacional do SENAI, 1994.
GUERRA, Antonio Teixeira. Estudo Geográfico do Território do Acre. Rio de Janeiro: IBGE, 1955.
LOPES, Margarete Edul Prado de Souza. Motivos de mulher na Amazônia: produção de escritoras acreanas no século XX. Rio Branco: EDUFAC, 2006.
MASÔ, João Alberto. Delegacia do Ministério da Agricultura no Território do Acre. Relatórios do delegado, engenheiro João Alberto Masô: 1910, 1911, 1912. Rio de Janeiro, 1913.
TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre (2 volumes). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
Jornal O ESTADO (Orgão dos Interesses do Departamento) – edição de 29 de março de 1914, No.9.
Jornal O DEPARTAMENTO (orgam da prefeitura) – edições de 1o de março de 1916, No 39; 12 de março de 1916, No40; e 19 de março de 1916, No41.
JORNAL OFFICIAL – edições de 16 de abril de 1916, No 1; 30 de abril de 1916, No 3; 28 de maio de 1916, No 7; 02 de julho de 1916, No 12; e 18 de março de 1917, No 49.


Fonte: Alma Acreana

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tal pai, tal filho!



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 por Elson Martins   



14-Nov-2009
almanacre15_de_nov.jpg
almanacre15_de_nov3.jpgO pai, José Marques de Souza, de apelido Matias, foi gerado nas brenhas do seringal Restauração, no rio Tarauacá. Ainda moço, mas seringueiro feito, além de mateiro e caçador, despregou-se na direção do rio Muru, na mesma região, e lá montou a colocação onde casou e se tornou homem de muitas habilidades: construiu casas e canoas, criou animais domésticos, abriu roçados. Sem descuidar dos mistérios e superstições da floresta que conhecia como poucos. 
Sim, era analfabeto, mas fluente nos argumentos, sobretudo, quando se referia às injustiças que prosperavam no comércio da borracha. A regra que levava o patrão seringalista a enganar os trabalhadores no peso da borracha e no preço do aviamento, com ele não vingou. Ou vingou só o tempo dele conhecer a história do seringueiro Manoel Falado, do seringal Alagoas, que sublevou outros extrativistas forçando o patrão a rever as contas tendo e pagar o saldo de todo mundo. E olha que eram 500 seringueiros sublevados!

Matias foi nesse rumo: na hora certa, juntou o que tinha na colocação, acertou as contas no barracão e desceu com a família para a cidade de Tarauacá, querendo educação para os filhos. Mas a cidade, uma novidade sobre a qual ouvia falar tanta vantagem na Rádio Nacional de Brasília ainda não podia ser aquela, onde só encontrava humilhação. Mesmo assim seguiu em frente, em 1969 veio com mulher e filhos para Rio Branco.
Ah! Aqueles tempos não eram propícios para os pobres da Amazônia, nem na floresta nem na cidade. O país era governado por militares golpistas que aprovavam a idéia de transformar os seringais em grandes fazendas. No vale do Acre, muitas famílias que nem a dele, expropriadas, migravam para a capital.
O Matias seringueiro se transformaria logo: em membro de comunidade de base da Prelazia do Acre e Purus, ativista político que ajudava na ocupação de terrenos urbanos para garantir um teto para os sem tetos e, até, em teatrólogo talentoso, um artista capaz de escrever, montar e representar peças denunciando os maus hábitos dos novos donos do Acre - inimigos da floresta recém-chegados do Oeste, Sul e Sudeste para derrubar a mata, plantar capim e criar boi.

Em 1997, aos 56 anos, ele morreu deixando para os acreanos nascidos e de coração um legado de resistência em defesa das tradições locais e do amor às artes. Deixou o Teatro Barracão na estrada da Sobral, recentemente recuperado pelo Governo do Estado; muitas peças mal escritas, mas vigorosas, com as quais deu força às famílias desarrumadas que formarem bairros como Aeroporto Velho, Triângulo Novo, Bahia, Palheiral e João Eduardo, entre outros.
Sua família era um grupo teatral completo. A mulher, Maria Ferreira de Souza (faleceu agora, dia 28), as duas filhas meninas e os cinco filhos homens participavam das dramatizações na rua, na praça, no tablado, sob a direção do autor talentoso e revolucionário. Mas na atividade permaneceu apenas o filho mais novo, Murande, hoje com 20 anos, quebrando lanças com o grupo “De Olho na Coisa”.

Mas o “tal filho” a que me refiro no titulo acima é o segundo mais velho, Moisés Matias, que encheu o auditório da Biblioteca da Floresta na quinta-feira ao apresentar sua proposta do Sítio Ecológico, experiência alternativa de vida que carrega com unhas e dentes, há 25 anos no Maranhão. Formado em jornalismo, com longa prática na área ambientalista, ele tem a mesma fala mansa e o olhar de melancolia do pai, que significam, parece,: inquietude e busca permanente de uma vida em harmonia com a natureza. Seu livro (já escreveu e publicou outros quatro) procura mostrar aos apressados homens e mulheres do século XXI que a qualidade de vida não pode estar impressa em dólares, com regras estúpidas de mercado e acumulação de riqueza.

      A palestra teve boa acolhida, mas, novamente assemelhado ao pai, Moises esqueceu de anunciar que o livro estava à venda em versão digital, a 20 reais por CD;  e que hoje, domingo, ele permanecerá o dia todo no sítio da Carol (restaurante localizado na estrada do Quinari) fazendo demonstrações de como é possível criar um “sitio ecológico” em pequenos espaços, para cultivar frutos, hortaliças e bons hábitos, tanto alimentares quanto no relacionamento entre pessoas e o ambiente. O “sítio” pode se desenvolver até dentro de casa, na varanda ou na cozinha. Ou, ainda, simplesmente na consciência de cada um. (Veja trecho no espaço ao lado).

Conspiração ecológica

Moisés Matias

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Certa vez, em uma palestra sobre turismo ecológico para um grupo de índios do Maranhão, manifestei a alegria que sentia em falar para os representantes dos povos guardiões de grandes tradições da Humanidade. Contei que sou um pouco índio, uma vez que a minha avó paterna fora descendente de uma nação que vive no Vale do Juruá1 no Estado do Acre. Após a palestra um chefe da nação Guajajara perguntou:
“Qual é o seu tronco lingüístico?”.

Demorei a entender a pergunta. O chefe Guajajara completou:
“Qual o nome do seu povo, a língua que ele fala?”.
Não soube responder. Aquele chefe pronunciava com dificuldade as palavras em português, mas poderia dizer, inclusive, se tenho algum parentesco com a nação Guajajara.

Descobri assim que sabia pouco sobre a história da minha gente. Passei então a estudar as minhas origens, a tentar descobrir quem sou, de onde venho. Ainda sei pouco sobre as coisas, a terra onde nasci e o mundo onde vivo.
A humanidade existe sobre a terra há aproximadamente quatro milhões de anos, mas nós que nascemos no leito da cultura ocidental, mesmo carregando sangue indígena ou africano nas veias, ignoramos o saber ainda preservado das grandes tradições da humanidade.
Nós nos afastamos do saber das grandes tradições, assim como nos desligamos do meio onde vivemos. “O pé não sente mais o macio da grama verde. A mão não pega mais um punhado de terra escura”, (BOFF. p. 90. 1999). Construímos prédios que são verdadeiras fortalezas; fazemos naves espaciais para explorar o universo, entre outros avanços, mas seguimos uma vida na maioria das vezes alheia ao vento que passa carregando aves, ao tempo em sua rotina de noite com lua e dias com sol e chuvas.

O depoimento de um dos maiores educadores do Brasil, Moacir Gadotti, no Livro Pedagogia da Terra, mostra o tamanho do fosso que separa a humanidade da natureza. “Nunca tive na escola a oportunidade de plantar uma árvore, de colher os legumes de uma horta, de chupar deliciosamente uma manga colhida do jardim da escola.”.  (GADOTTI, p12, 2000).

O mundo moderno faz uma permanente negação da natureza. Em praticamente todos os campos do conhecimento a natureza é vista como algo distante. Dizemos que “é preciso preservar a natureza”, não que “é preciso que nos salvemos”.

Nós somos parte indissociável do que chamamos de natureza. A maioria das escolas, inclusive, trata o tema natureza como uma externalidade, lembrado nas datas comemorativas. “Cresce a consciência de que a natureza funciona, não só como despensa ou almoxarifado, mas como quarto de despejo, lata de lixo e esgoto, para onde são jogados os detritos, dejetos e rejeitos, tanto os da produção como os do consumo”. (MENDES. p 17. 1993).
A visão subjetiva de mundo que trazemos nem sempre segue os preceitos da sociedade convencional, com seus códigos e certezas. Pelo menos no Norte e Nordeste do Brasil ainda há um conteúdo que vem da origem rural e se manifesta nas hortas e jardins das casas, na tradição de se criar animais domésticos, na manutenção de enredos, brincadeiras tradicionais e da literatura focada no tema rural.

Em alguns casos, a natureza subjetiva consegue se fazer ouvir, inclusive em sonhos, e nos faz, por exemplo, percorrer o caminho em busca de uma vida sustentável. Nesta nova imersão, levamos na bagagem parte daquilo que conseguimos construir, social e culturalmente, ao longo dos séculos.
A experiência humana nos levou ao paradoxo da existência. Como podemos sobreviver no planeta terra sem causar danos às criaturas e ao meio ambiente? Este é o maior enigma que enfrentamos na atualidade. A aventura maior do projeto humano, a mudança da rota da destruição para a rota da civilização sustentável. “Uma nova forma de civilização, fundamentada no aproveitamento sustentável dos recursos renováveis, não é apenas possível, mas essencial”. (SACHS, p.29. 2002).
Não se trata de um retorno à natureza, como quem volta à idade da pedra, mas de um reencontro de um ser cultural, dotado de conhecimentos e vivências, com uma natureza que é nosso berço. É esta simbiose que torna possível a vivência na natureza, a garantia de uma vida com qualidade para todas as criaturas.

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Elson Martins é jornalista acreano. Como repórter regional de O Estado de São Paulo, acompanhou a partir 1975 aprimeira fase dos conflitos pela terra no Acre, ajudando a colocar Chico Mendes na mídia local e nacional. Foi um dos editores do jornal alternativo Varadouro, que tomou partido da luta dos seringueiros, índios e posseiros a partir de 1978. E-mail para contato: elson-martins@uol.com.br. Artigo publicado em 17/11/2009. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nonato Matias - Pastor Nonato

         
           No dia 15 de janeiro de 2011, faleceu Raimundo Nonato Ferreira de Sousa. Um homem determinado, sonhador, em vida sempre buscando ajudar ao  próximo, pastor evangélico, filho, pai e avô.   Deixou na terra suas recordações e exemplos de uma vida dedicada a evangelização. Filho de família humilde sabia que a conquista em todos os sentidos surge do esforço das pessoas. Em suas pregações afirmava que todos gostariam de ver Deus, mas ninguém queria morrer. E nessa convicção de fé e coragem Nonato marcou seus dias.

          Abaixo segue um breve histórico de sua vida

           Raimundo Nonato Ferreira de Sousa ou simplesmente Nonato Matias, filho mais velho do teatrólogo e ativista cultural acreano José Marques de Sousa, o Matias e Maria Ferreira de Sousa. Nasceu em 15 de dezembro de 1962 em Tarauacá estado do Acre, mais precisamente  na colocação Jaminawa.

Filho e neto  de seringueiros passou o início de sua infância nos seringais. Ainda novo juntamente com a família mudou para cidade de Rio Branco onde passou sua juventude vivendo ná baixada do sol, nesse período participou das Comunidades Eclesiais de Base, cogitando a possibilidade de tornar-se padre, devido o contato de sua família com a igreja católica, idéia essa que logo abandonou, começou a estudar as séries iniciais concluindo na época o 1º grau (hoje ensino fundamental) (por força das condições da época não deu continuidade aos estudos).

          No inicio dos anos 80 participou atuando em teatro amador patrocinado pelo Sesc Acreano, além de trabalhar como carpinteiro, garçom, vendedor entre outras atividades participou da fundação do Partido dos Trabalhadores acreano ao lado de seu pai, trabalhando, inclusive, na venda de artigos na praça Plácido de Castro em Rio Branco para financiar o partido.

Entre os anos de 1982 e 1983  participa do grupo de cinema acreano ECAJE (hoje Associação Acreana de Cinema ASACINE) dirigida por Adalberto Queiroz.  Nesse período conhece Maria das Dores.

Em outubro 1983 casa-se com Maria das Dores Apolônio Gomes, que passa a se chamar Maria das Dores Gomes de Sousa, tendo como testemunha de casamento Ibrahim Farhat (Lhé).  Nesse período ele deixa a Cidade de Rio Branco  para cuidar de uma terra da família no interior por um curto período.

 Durante os anos de 1984 e 1985 segue para Xapuri onde participa Projeto Seringueiro como monitor, ajudando na alfabetização de seringueiros. Com o nascimento do primeiro filho, deixa Xapuri, e retorna a Rio Branco.

Em 1986 segue para Porto Velho capital do estado de Rondônia a convite de seu cunhado Antônio Carlos de Oliveira. Cidade onde estabeleceu residência.

Em Porto Velho Durante Nonato tem contato com o evangelho, freqüentando a Igreja Evangélica Assembléia de Deus da missão. Fixa na cidade de Porto Velho mais precisamente no bairro São Sebastião, recém chegado à cidade Nonato trabalhou como cobrador de ônibus, carpinteiro, segurança, vendedor e representante comercial. Um período próspero para o filho de seringueiros.

 Em 1987 nasce seu segundo filho, é nesse ano que Nonato e sua esposa se tornam membros da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Desde então passa a dedicar-se à evangelização em comunidades populares no baixo-madeira.

             Em 1993, ele deixa a igreja Assembléia de Deus, para fazer parte do ministério Luz do Calvário, onde se torna Evangelista passando então a dedicar-se à evangelização em comunidades  no baixo-madeira e periferia de Porto Velho. No início do ano de 1995 rompe com a Igreja Luz do Calvário.

             Ao lado de irmãos e filhos na fé, funda em junho de 1995 a Igreja Evangélica Pentecostal Betel em Porto Velho, como Pastor e Presidente do Ministério. Esteve à frente do ministério durante 15 anos, muitas pessoas através dele foram tocados pela evangelização. Raimundo Nonato faleceu em 15 de janeiro de 2011 por complicações de saúde. Nonato deixa Esposa, filhos e netos, amigos e filhos espirituais e irmãos em Cristo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fest Cineamazônia® exibirá filmes da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Filmes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola estarão participando como convidados.

A parceira com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é a novidade deste ano para a 8ª edição do Festival Latino Americano de Cinema e Vídeo Ambiental - Fest Cineamazônia®, que acontecerá em Porto Velho, de 9 a 13 de novembro de 2010. As inscrições já estão abertas no site www.cineamazonia.com, onde consta também o regulamento. A partir desta edição serão aceitas produções em português e castelhano.

Filmes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola estarão participando como convidados. A parceria com a CPLP é uma integração de resgate dos laços culturais com o Brasil. O Fest Cineamazônia® acontece também em Cabe Verde (África) e Coimbra e Évora (Portugal).

O foco principal do Fest Cineamazônia® é questão ambiental, mas o festival aceita produções de gêneros como ficção, documentário, experimental, animação, e videorreportagem ambiental. A variedade de gêneros cinematográficos favorece para várias leituras. As produções inscritas são exibidas numa mesma bitola o que torna a concorrência mais nivelada.

O Festival tem o apoio da Prefeitura de Porto Velho, através da Fundação Iaripuna e da Secretaria Municipal de Educaçao (Semed) e Iphan.


Fonte: Festcine Amazônia 

sábado, 3 de julho de 2010